A atualização de equipamentos NR12 e SVP tornou-se central nas discussões sobre produtividade, segurança e gestão de riscos no ambiente industrial. Com a evolução das normas regulamentadoras, especialmente a NR12, as empresas são cada vez mais cobradas a manter seus equipamentos em conformidade, não apenas para evitar penalidades, mas sobretudo para proteger a integridade física de seus colaboradores. Por isso, soluções como o Sistema de Verificação de Peso, o SVP, ganham relevância estratégica.
Para entender melhor os desafios, os prejuízos e as soluções disponíveis, conversamos com Felipe Camargo, líder de suporte técnico da Toledo do Brasil, que abordou desde o custo da adequação até a integração do SVP com a segurança operacional, passando pelo papel dos auditores e pela possibilidade de atualizar equipamentos mais antigos. Acompanhe!
Principal desafio na atualização de equipamentos NR12 e SVP
Quando se fala em atualização de equipamentos para a NR12 e o SVP, a primeira dificuldade que aparece é a financeira. É o que afirma Felipe. “Não é um custo pequeno, especialmente para máquinas que estão há anos em operação e nunca passaram por uma revisão relacionada à norma”, ressalta.
De acordo com o especialista, existe um dilema: investir agora para adequar o que já existe ou, em casos mais extremos, trocar o equipamento por um novo que já saia de fábrica em conformidade. E essa decisão nunca é simples, porque o orçamento das indústrias quase sempre já está comprometido com outras frentes.
Só que as empresas precisam enxergar além do custo imediato. “A falta de adequação pode gerar não conformidades, autuações e até comprometer certificações como as ISOs, que muitas indústrias têm ou buscam obter”, alerta. E o prejuízo maior, segundo ele, está na segurança de quem opera as máquinas. “A norma foi concebida justamente para proteger o colaborador contra as partes móveis dos equipamentos. Uma máquina que não atende à norma expõe o funcionário a riscos diários e, no pior cenário, pode resultar em um acidente grave.”
“Os riscos vêm em duas frentes: uma humana, que é irreparável, e outra institucional, na forma de multas, interdições e processos trabalhistas.”
Como o SVP funciona e se relaciona com a NR12
O Sistema de Verificação de Peso, conhecido pela sigla SVP, é uma solução que a Toledo do Brasil desenvolveu para dar confiabilidade às operações de pesagem, especialmente em carregamentos de grande porte.
“O equipamento mais representativo nesse contexto é o Prix Tolflux, amplamente utilizado em áreas portuárias para embarque de produtos como soja, milho e açúcar, com unidades instaladas não apenas no Brasil, mas também em outros países”, afirma Felipe.
O funcionamento é baseado em massas padrão, que variam de 100 quilos a mais de 3 mil quilos cada uma. No caso do Prix Tolflux, são quatro massas posicionadas estrategicamente. Antes de um carregamento, o operador aciona um botão em um painel de comando, e o sistema ergue as massas por meio de correntes e cilindros.
“O procedimento ocorre em etapas: primeiro dois pesos em uma diagonal, depois os outros dois na diagonal oposta, para evitar torções na caçamba. A cada etapa, o indicador da balança mostra o valor correspondente, e o operador confere se a leitura está correta.”
Ao final, com os quatro pesos erguidos, a balança deve indicar exatamente a soma total. “Se a leitura estiver precisa, significa que as células de carga e toda a ligação elétrica estão funcionando bem, sem ruídos ou instabilidades”, relata.
Esse procedimento dá ao cliente a certeza de que a balança está performando corretamente, garantindo que o peso registrado na origem seja exatamente o que será entregue no destino final.
É aqui que a NR12 entra em cena. As massas padrão são pesadas e volumosas, e um eventual tombamento representaria um risco grave para quem estivesse próximo. Por isso, o sistema da Toledo do Brasil já incorpora um intertravamento que impede o acionamento dos pesos enquanto a balança estiver em operação, o que também evita tentativas de fraude. Além disso, a empresa realiza treinamentos específicos para operadores e para as equipes de manutenção, elétrica e mecânica.
“Cada profissional recebe orientações claras sobre suas responsabilidades, desde a verificação da área antes do teste até a inspeção das massas padrão para garantir que não haja objetos estranhos que possam comprometer a pesagem.”
Ou seja, o SVP não é apenas um sistema de verificação de peso. Ele opera com segurança porque exige procedimentos rígidos e controle de acesso, e a NR12 se manifesta exatamente nesses pontos: no intertravamento que impede acionamentos acidentais, no isolamento da área durante os testes e na capacitação contínua das equipes. Dessa forma, a confiabilidade da pesagem nunca vem às custas da integridade física de quem trabalha ali.
Integração do SVP com automação e segurança
A Toledo do Brasil já possui um case consolidado nessa integração: o Prix Tolflux. Segundo Felipe, nem todos os equipamentos saem de fábrica com o SVP, mas a empresa oferece o sistema como um recurso de automação que vai além do método tradicional de verificação manual.
“Antigamente, o procedimento era manual, o que chamávamos de ‘bater placa’, com placas de 20 quilos sendo colocadas até atingir a capacidade da balança”, explica. O SVP substitui esse processo por um sistema automatizado, trazendo ganhos significativos de ergonomia, confiabilidade e agilidade para o cliente, tanto antes de um carregamento quanto na operação diária.
No Prix Tolflux, a automação envolve cilindros pneumáticos, painel pneumático e um painel de comando, todos integrados ao módulo indicador e ao software do SVP. O sistema permite que o operador verifique a balança a qualquer momento, sem precisar chamar um técnico da Toledo do Brasil ou utilizar um caminhão com pesos padrão. “O próprio usuário já tem essa confiabilidade e consegue fazer a verificação por conta própria”, destaca.
A aplicação do SVP não se restringe às balanças de alta capacidade. A Toledo do Brasil também desenvolve soluções para tanques de armazenamento, que podem ter de 5 a 30 toneladas ou mais. Nesses casos, a engenharia da empresa realiza estudos para viabilizar a instalação do sistema, avaliando principalmente a segurança no acionamento e a comparabilidade entre o peso padrão e o conteúdo do tanque.
Como não é viável colocar 30 toneladas de massa padrão em um tanque, a solução é utilizar um peso de referência confiável, distribuído em até 10 toneladas, combinado com cargas de água para estender a calibração. “Se sabemos que a faixa de 0 a 10 toneladas está operando corretamente, ao adicionar 10 toneladas de água e mais 10 toneladas de massa padrão, temos a confirmação de que a balança apresenta leituras confiáveis até 20 toneladas”, explica.
As balanças de alta capacidade, como o Prix Tolflux, operam com vazões de 1.500 a 3.500 toneladas por hora e geralmente já são ofertadas com o SVP de fábrica. Já as de baixa capacidade, com vazões de 50 a 100 toneladas por hora, dependem de calibração e ajuste manuais.
“Para estas, ofertamos o SVP como um recurso adicional, proporcionando ao cliente mais confiabilidade e melhoria no processo”, ressalta.
O SVP como ferramenta preventiva contra autuações
Durante uma fiscalização, o auditor não se limita a verificar se o equipamento está funcionando. Ele observa aspectos físicos da instalação, como o cabeamento, a conformidade das células de carga e a integridade da caixa de junção. “Deixamos bem específico nos desenhos qual cabo deve ser utilizado, como deve ser passado o cabo da balança até o módulo indicador”, explica Felipe.
Mas a verificação mais direta envolve um teste prático: o auditor pode solicitar que a balança pese um valor conhecido, como 100 quilos. Se o indicador mostrar 103 quilos, já há uma irregularidade. E o impacto vai além da não conformidade. “Imagina 3 quilos a cada minuto num processo de 8 horas, 5 dias por semana. Você vai ter um total muito grande de perda, tanto de produto quanto financeiro”, alerta.
Nesse sentido, o SVP se torna um aliado estratégico. Com o sistema de verificação de peso instalado, o cliente pode conferir a balança diariamente, no início, no meio ou no fim da operação. “Ali você diariamente consegue visualizar o peso da balança. Se a balança está pesando corretamente ou não”, destaca. Com essa checagem rotineira, o operador identifica qualquer desvio antes que ele se transforme em perdas significativas ou em uma autuação durante a fiscalização.
Se o SVP apontar algum problema, a Toledo do Brasil entra em ação. “O cliente aciona a filial mais próxima, e nossos técnicos vão fazer uma análise completa, verificam células de carga, cabo, a caixinha de junção, fazendo um overview geral”, completa.
A adequação à NR12 também vale para balanças mais antigas
Felipe faz questão de destacar um ponto que muitas vezes passa despercebido: a adequação à NR12 não se restringe apenas aos equipamentos novos. Todas as balanças fornecidas pela Toledo do Brasil já saem de fábrica em conformidade com a norma, independentemente do segmento.
Ele explica que a empresa atende diferentes linhas de produtos. As balanças comerciais são aquelas encontradas em padarias e mercados, de uso mais recorrente. Já as balanças de sistemas são desenvolvidas sob medida para processos específicos de cada cliente, atendendo a diversos segmentos, como o agronegócio. “São sacarias, bags de café, balanças para ração de 50 quilos”, exemplifica. Nesses equipamentos, há partes móveis onde o operador posiciona o saco para o carregamento do material, e todos eles já são projetados com os dispositivos de segurança exigidos pela NR12.
O alerta importante, segundo ele, é para as balanças adquiridas antes de 2018, quando a norma não tinha a mesma força e abrangência que tem hoje. Muitos clientes acreditam que precisam comprar um equipamento novo para se adequar, mas nem sempre é o caso. “Às vezes, só uma adequação básica, com mudança em duas ou três partes da balança, mais o software, já deixa o equipamento adequado à NR12, sem a necessidade de comprar outro”, afirma.
E a Toledo do Brasil oferece todo o suporte para isso. “Fornecemos todo o equipamento, todo o software necessário e também a mão de obra técnica, com profissionais espalhados por todo o Brasil”, completa.
Conclusão
A atualização de equipamentos NR12 e SVP vai além do cumprimento de uma exigência legal. É um investimento em segurança, eficiência operacional e preservação da integridade das pessoas.
Converse com os especialistas da Toledo do Brasil sobre modernização de equipamentos, SVP e adequação à NR12.
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